Os lençóis subterrâneos do meu peito jorram. Não sei qual amante fui, ou se me perdi na definição da coisa.Queria encontrar um breve resumo de tudo que não sei de mim.Encontrar a garrafa que foi arremessada ao mar com todos os meus segredos.Mergulhar na gruta escura do oceano que se fez aquele sonho. Construir no enigma das retinas a passagem para o tesouro.Tenho a lembrança do coração que comportava todos os meus pertences, principalmente a minha lembrança da eternidade.A noite negra acalenta os olhos das estrelas. Quase joguei meu corpo fora, quis sair de mim para ver como era o paraíso das almas. Um ateu me fez acreditar em Deus.
(Izabel Gouveia)

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