
Gosto do sabor e de sentir com todo meu corpo o que é ter vida. Tento escrever e não consigo, tomaram minha energia e se eu pensar, eu bem sei que é o final do ano. Sim, eu sei. Faltam meses ainda. Mas a idéia de crescer, fazer uma prova que pode definir todos os meus dias daqui para frente e me roubar a liberdade de ser o que apenas quero ser e não aquilo que preciso. Não quero organizar esses pensamentos, quero deixa-los aqui e assim. Perdão, mas meus dias não são mais bonitos. Me perco em tardes de sono profundo e uma espera por sexta a noite, onde posso colocar uma máscara e respirar com toda minha força o ar que se mistura com fumaça, seja de cigarro ou de maconha. Porque preciso fugir às vezes, achar que estou em um plano paralelo e rir sozinha, enquanto observo as luzes dessa cidade que se enquadram exatamente na minha janela. Entrei em uma disputa com a realidade, passo os dias lendo e , desejando não existir ou pensar na existência. Tenho medo. Justo eu, a menina que não teme. Nunca fui medrosa, sabe. Gosto do perigo ou da idéia de enfrenta-lo, gosto de provar o quão boa sou e medo é coisa de gente fraca.
(pausa) - pego um café e acendo um cigarro.
Essa semana peguei o telefone por duas vezes, não consegui completar minha vontade, as palavras ficaram presas nesse nó que envolve todo meu corpo e pensamento e eu tentei dizer ali que não dava e que a felicidade está longe de ser o que me toma e que não consigo mais viver esse relacionamento que para mim é carnal e banal porque não há desejo e sim comodidade em ter ali naquele corpo meu escape. E ao tentar dizer, apenas suspirei e disse que tudo estava bem. Meu Deus, eu não sou assim. Essa karol que foge e dorme não é a karol que todos gostam e que eu gosto de ser.
Todo final de ano é assim e tudo tende a piorar, porque novembro está chegando e as manhãs nubladas com gosto de saudade acontecem mais e mais.
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