sexta-feira, 29 de outubro de 2010



"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz a gente se sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece."
trecho de Braçadas, Bukowski

A OUTRA

"Eu devo reconhecer que ninguém me conhece. Não realmente. Os que mais sabem não sabem da metade. Não deixo todos os segredos escaparem de mim, não mesmo. Uma delicadeza com os outros, eu diria, pois não quero assustar as pessoas com meu passado. Em especial aquelas que continuaram gostando de mim após o pouco que souberam. Mesmo porque aquela, que fez aquilo, não está mais aqui. Eu sou literalmente outra."

EU , EU MESMA

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...
Florbela Espanca

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Gosto do sabor e de sentir com todo meu corpo o que é ter vida. Tento escrever e não consigo, tomaram minha energia e se eu pensar, eu bem sei que é o final do ano. Sim, eu sei. Faltam meses ainda. Mas a idéia de crescer, fazer uma prova que pode definir todos os meus dias daqui para frente e me roubar a liberdade de ser o que apenas quero ser e não aquilo que preciso. Não quero organizar esses pensamentos, quero deixa-los aqui e assim. Perdão, mas meus dias não são mais bonitos. Me perco em tardes de sono profundo e uma espera por sexta a noite, onde posso colocar uma máscara e respirar com toda minha força o ar que se mistura com fumaça, seja de cigarro ou de maconha. Porque preciso fugir às vezes, achar que estou em um plano paralelo e rir sozinha, enquanto observo as luzes dessa cidade que se enquadram exatamente na minha janela. Entrei em uma disputa com a realidade, passo os dias lendo e , desejando não existir ou pensar na existência. Tenho medo. Justo eu, a menina que não teme. Nunca fui medrosa, sabe. Gosto do perigo ou da idéia de enfrenta-lo, gosto de provar o quão boa sou e medo é coisa de gente fraca. 

(pausa) - pego um café e acendo um cigarro. 

Essa semana peguei o telefone por duas vezes, não consegui completar minha vontade, as palavras ficaram presas nesse nó que envolve todo meu corpo e pensamento e eu tentei dizer ali que não dava e que a felicidade está longe de ser o que me toma e que não consigo mais viver esse relacionamento que para mim é carnal e banal porque não há desejo e sim comodidade em ter ali naquele corpo meu escape. E ao tentar dizer, apenas suspirei e disse que tudo estava bem. Meu Deus, eu não sou assim. Essa karol que foge e dorme não é a karol que todos gostam e que eu gosto de ser. 


Todo final de ano é assim e tudo tende a piorar, porque novembro está chegando e as manhãs nubladas com gosto de saudade acontecem mais e mais. 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Acho difícil me apresentar… Talvez porque me veja de muitas formas diferentes… Às vezes sei o que penso, às vezes não… Às vezes o que sinto faz sentido, às vezes não… Tenho um milhão de defeitos – às vezes convivo bem com eles, às vezes não. Sei que vivo para sentir: amor, raiva, alegria, tristeza, esperança… Às vezes sou mais impulsiva do que gostaria, mas não ligo de chorar e ficar com cara de sapo e adoro rir até a barriga doer! As pessoas me fascinam! Sou viciada em gente, mas também adoro ficar sozinha. Sei que tenho horror de quem não comete erros e mais horror ainda de quem não os admite… Venho perdendo o medo das conjunções da vida – se, porém, contudo, até, mas, todavia, entretanto ... Lido bem e enfrento as limitações do corpo e da mente – mas me incomodo profundamente com as de cunho burocrático... Tenho fé em Deus e acredito em predestinação, mas assumo a responsabilidade pelas escolhas dos meus caminhos e descaminhos e arco com as consequências dos meus atos. De morno na minha vida só quero a água do meu banho. Gosto do risco e dos que se arriscam. Tiro o chapéu pra quem oferece a cara a tapa. Admiro quem segue o coração.Acredito que nada é pouco quando o mundo é meu!

sábado, 9 de outubro de 2010

Sinto medo nessa manhã congestionada de chuva que canta alto na minha janela.
O poema de Neruda, minutos antes da meia-noite de ontem, caiu como uma luva nessa revolução espiritual que tem me devorado diariamente:
"Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando." 

Desconheço quem possa manifestar tamanha atenção. Quem sabe as minhas fantasias deem conta de preencher essa necessidade.

Jean Baudrillard também me acorda hoje: "examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo."

Como explicar os sentimentos que estão por trás de todo esse meu discurso? Será que sou capaz de explicá-los a mim mesma? Olhando para mim nessa manhã cinzenta, proponho mais um desenho reflexivo a respeito das categorias impensáveis.
O choro depois do banho, logo cedo, foi responsável por fertilizar minhas idéias. Ele mesmo, o choro de amor. Que limpa o coração dos meus olhos e sustenta o barco que me faz humana.
Sejamos humanos, homens!

Baudrillard apertaria minha mão, creio eu:

"ÉPOCA - A disseminação de signos a despeito dos objetos pode conduzir a civilização à renúncia do saber?
Baudrillard - Alguma coisa se perdeu no meio da história humana recente. O relativismo dos signos resultou em uma espécie de catástrofe simbólica. Amargamos hoje a morte da crítica e das categorias racionais. O pior é que não estamos preparados para enfrentar a nova situação. É necessário construir um pensamento que se organize por deslocamentos, um anti-sistema paradoxal e radicalmente reflexivo que dê conta do mundo sem preconceitos e sem nostalgia da verdade. A questão agora é como podemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia."
“Isso tudo nunca foi pra mim, nunca funcionou, é sempre eu que caio, de amores, ilusões, dores e no final de tudo eu fico aqui, esperando esse trem, pra me levar para a proxima estação, onde eu possa finalmente criar uma nova ficção na minha cabeça, uma nova atração para os meus olhos, uma nova paixão pro coração, e quem sabe, um final pra este roteiro.”



- Caio Fernando Abreu.
Só pra deixar registrado o quanto eu fui feliz nessa noite de sábado comendo abacaxi e escutando Sunday Morning do The Velvet Underground. Descobri que há sol também nas noites - depois de ler um blog cheio de vida que me despertou aqueles feelings existencias maravilhosos. Peço perdão às minhas queridas anotações de biologia , mas sou obrigada a deixá-las de repouso por alguns instantes para me dedicar a esse orgasmo espiritual que me consome lindamente. Só pra deixar registrado, mais uma vez, o quanto fui feliz nessa noite de sábado: eu + duas fatias de abacaxi + the velvet + meus sentimentos + nada.

Vontade de continuar a sentir esse encatamento durante várias noites da minha vida: http://www.youtube.com/watch?v=zZXZ2wWmARY&feature=related
E que hoje seja apenas a primeira de muitas noites ensolaradas. Meu coração agradeceria.